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• Gastronomia Suíça

Emmental: onde o queijo dos furos mostra como nasce

Corredor da cave de maturação da Emmentaler Schaukäserei em Affoltern, com rodas de queijo empilhadas nas prateleiras dos dois lados
  1. 1Cada roda de Emmentaler AOP pesa cerca de 90 kg e é feita de leite cru.
  2. 2As rodas maturam deitadas nas prateleiras metálicas que correm pela cave.
  3. 3É na cave quente, entre 20°C e 24°C, que bactérias propiônicas liberam CO2 e abrem os furos na massa.
  4. 4As fileiras se estendem pelos dois lados do corredor, cada roda no seu tempo de cave.
A cave de maturação da Schaukäserei em Affoltern: fileiras de rodas descansando até ganhar os furos. Os números marcam o que se vê; passe o mouse ou toque para ler cada ponto. Foto nossa.

Todo mundo já viu o queijo dos furos num desenho animado, mas poucos param para pensar em como esses buracos aparecem. Nós fomos ver de perto em dezembro, na Emmentaler Schaukäserei de Affoltern im Emmental, a queijaria que abriu as portas para explicar o processo a quem visita. Não é um museu fechado a vidro: é uma queijaria em funcionamento, com cave, loja e restaurante, onde dá para acompanhar o trabalho de verdade.

O Emmental é a região que dá nome ao queijo, um vale de fazendas onduladas e telhados largos a leste de Berna. A Schaukäserei fica bem no meio dele, e funciona como o ponto de partida mais didático para entender por que esse queijo específico virou sinônimo de “queijo suíço” no imaginário de fora.

Colinas verdes do Emmental ao entardecer, com névoa no fundo do vale e fazendas de telhado largo
O Emmental nove minutos antes de chegarmos à queijaria: pasto verde em pleno fim de dezembro, névoa parada no fundo do vale e as fazendas de telhado largo espalhadas pela encosta. Foto nossa.

Por que o Emmentaler tem furos?

A resposta é ciência, não decoração. Durante a maturação, bactérias propiônicas presentes na massa continuam ativas depois que o queijo já foi formado, e o metabolismo delas libera dióxido de carbono. Numa cave mantida quente, entre 20°C e 24°C, esse gás fica preso dentro da massa relativamente elástica do queijo e forma bolsas, os furos que todo mundo reconhece. Quanto mais tempo e mais calor na fase certa da maturação, maiores tendem a ser os olhos, como os mestres queijeiros chamam essas aberturas.

É esse mesmo processo, controlado com cuidado de temperatura e tempo, que também constrói o sabor adocicado e de nozes do Emmentaler maduro. Na Schaukäserei dá para ver as rodas nesse estágio, deitadas nas prateleiras metálicas dos carros que ocupam a cave inteira, cada uma com quase 90 kg, o peso típico da produção tradicional em roda grande.

Rodas de queijo em prateleiras iluminadas de uma cave de maturação, vistas pela janela de vidro
A outra cave da visita, vista pela janela de vidro: cada roda com a sua etiqueta de fileira.
Tacho de cobre da queijaria com marionetes de feltro de vaca, queijeiro e rato penduradas por cima
Um tacho de cobre da queijaria e, penduradas por cima, as marionetes de feltro que aparecem pelo caminho: a vaca, o queijeiro e o rato.

O que é a Königsweg, a rota da visita

A visita autoguiada pela produção chama Königsweg, “o caminho real”, e é uma rota multissensorial: você vê, cheira e prova as etapas, do leite cru até a roda pronta. O acesso ao terreno da queijaria, à loja e ao restaurante é gratuito; só a Königsweg é paga, com entrada a partir de CHF 16,50 por pessoa (confirme o valor atualizado no site oficial antes de ir, porque as tarifas mudam de temporada para temporada). A Schaukäserei abre os 365 dias do ano, o que facilita encaixar a parada em praticamente qualquer roteiro pela região.

Reserve de uma a duas horas para a visita completa, incluindo a loja e, se der fome, uma parada no restaurante, que nos dias de sexta e sábado costuma abrir até mais tarde à noite (confirme o horário no site oficial, porque também varia por temporada).

O Stöckli de 1741 e o fogo aberto

A parte mais bonita da visita, para nós, foi o Stöckli, uma cabana de vaqueiro de 1741 reconstruída dentro do complexo. Ali, uma vez por dia, um queijeiro faz uma roda de Emmentaler do jeito antigo, mexendo o leite num tacho sobre fogo aberto, exatamente como as famílias de pastores faziam nos alpes do Emmental séculos atrás. O horário exato dessa demonstração varia, então vale checar no site oficial ou perguntar na chegada para não perder o momento.

Em alguns dias, grupos visitantes podem participar e ajudar na produção. O queijo feito naquela roda específica não fica pronto na hora, claro: ele segue o processo normal de maturação e só é enviado para quem participou depois de cerca de quatro meses de cave.

Um museu que explica antes de você provar

Antes ou depois da cave, o pequeno museu da Schaukäserei conta a história do queijo com tachos de cobre, ferramentas antigas e um diorama de uma vila típica da região, casario espalhado entre pastos, com aqueles telhados largos e baixos que protegem fazenda e celeiro sob o mesmo teto. É um contexto útil: entender a paisagem ajuda a entender por que o Emmental virou terra de queijo em primeiro lugar, um vale de pasto fértil e invernos longos, em que transformar o leite do verão em algo que dura foi sempre questão prática.

Sobre o apelido: é comum ouvir o Emmentaler chamado de “rei dos queijos”. Vale tratar isso como o que é, um apelido informal e afetivo que a própria região usa para se promover, não um título com critério técnico por trás.

Como chegar de Berna

De carro: a queijaria fica a cerca de 40 minutos de Berna, um trajeto tranquilo pelas estradas do Emmental. De transporte público: pegue o trem até Burgdorf ou Hasle-Rüegsau e complete com ônibus até Affoltern im Emmental; no total, contando conexões, fica em torno de uma hora. Vale checar horários atualizados antes de sair, porque a frequência dos ônibus regionais varia ao longo do dia.

Combina com: uma parada nas comidas típicas da Suíça antes de decidir se o próximo prato é fondue ou raclette, já que o Emmentaler aparece nas duas receitas.

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Dúvidas frequentes sobre a Emmentaler Schaukäserei

A entrada na Schaukäserei é paga?

O terreno, a loja e o restaurante são de entrada gratuita. Só a Königsweg, a rota autoguiada pela produção, é paga, a partir de CHF 16,50 (confirme o valor atualizado no site oficial).

Dá para ver o queijo sendo feito de verdade?

Sim. No Stöckli de 1741 um queijeiro produz uma roda no fogo aberto uma vez por dia, do jeito tradicional. O horário exato varia, então confirme no local ou no site oficial.

Quanto tempo reservar para a visita?

Entre uma e duas horas, contando a Königsweg, o museu e uma parada na loja ou no restaurante.

Como chegar de Berna sem carro?

De trem até Burgdorf ou Hasle-Rüegsau e depois ônibus até Affoltern im Emmental, um trajeto de cerca de uma hora no total.

A Schaukäserei abre todos os dias?

Sim, funciona os 365 dias do ano, o que facilita encaixar a parada em qualquer época da viagem.

Por que o Emmentaler tem furos?

Bactérias propiônicas na massa liberam dióxido de carbono durante a maturação numa cave quente, e esse gás fica preso formando os furos característicos.

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Escrito por Clara Rhenius · Conteúdo revisado e aprovado por Rafaella Vilafranca, cofundadora da Viagem Suíça.
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