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Viamala e San Bernardino: os Grisões de carro, do desfiladeiro ao passo

Água verde-turquesa entre paredões de rocha em camadas na Viamala, com mata de coníferas nas encostas, no inverno
  1. 1A água verde-turquesa do Hinterrhein, o rio que escavou a garganta e abriu marmitas glaciais na rocha.
  2. 2O paredão de rocha em camadas inclinadas, mergulhando direto na água.
  3. 3O bloco de rocha que avança sobre o rio, com a mata de coníferas agarrada por cima.
  4. 4Os galhos sem folhas em primeiro plano: esta foto é de dezembro, fora da temporada do desfiladeiro.
A água verde-turquesa entre os paredões de rocha da Viamala, fotografada de cima em dezembro. Foto nossa. No inverno a passarela interna do desfiladeiro fica fechada e a garganta só se vê pelos pontos de parada da estrada. Os números marcam o que aparece na imagem; passe o mouse ou toque para ver cada ponto.

Existe uma Suíça que se vê de trem, com o Bernina Express cortando os Grisões em curvas largas, e existe uma Suíça que só aparece quando você mesmo segura o volante. A rota entre Thusis, o desfiladeiro de Viamala, a igreja de Zillis e o passo de San Bernardino é dessa segunda categoria. Nós fizemos esse trecho no inverno, com neve nas encostas e o desfiladeiro fechado para visitas a pé, e por isso boa parte das fotos deste guia veio dos mirantes da estrada, não de dentro da garganta.

É uma rota curta no mapa, pouco mais de 50 km de Thusis até San Bernardino, mas concentra muita história em pouco espaço: uma via romana entalhada na rocha, um teto de igreja de mais de 900 anos e um dos passos mais antigos de travessia dos Alpes. Este guia segue a ordem em que percorremos o caminho.

Onde ficam Viamala e San Bernardino?

Estamos na região dos Grisões (Graubünden), no leste da Suíça. Thusis marca a entrada do vale do Hinterrhein, o braço do Reno que desce das montanhas ao sul. Dali a estrada sobe em direção ao desfiladeiro de Viamala, passa por Zillis, segue até o vilarejo de Hinterrhein e chega ao passo de San Bernardino, que separa os Grisões da Mesolcina, já do lado de língua italiana, a caminho de Bellinzona. É um bom complemento a quem já programou o Bernina Express ou uma base em St. Moritz: mesma região, ritmo bem diferente.

O desfiladeiro de Viamala: a “via ruim” que virou atração

O nome já conta a história: via mala, o caminho ruim. Foi por ali que romanos e depois viajantes medievais cruzaram os Grisões rumo a San Bernardino e a Splügen, entalhando galerias na rocha onde o Hinterrhein havia aberto um corredor estreito, com paredões que chegam a 300 metros de altura em alguns pontos. Documenta-se uma via de mulas organizada já por volta de 1473, mas o desfiladeiro era passagem obrigatória muito antes disso.

Hoje o acesso pago (CHF 10 para adultos, CHF 6 de 6 a 16 anos) leva a uma escadaria que desce até o leito do rio: 359 degraus, não os 321 que ainda aparecem em alguns relatos antigos. No fundo, o Hinterrhein esculpiu marmitas glaciais na rocha, poços arredondados que valem o esforço da subida de volta. A temporada de 2026 vai de 26 de março a 1º de novembro, com horário de funcionamento maior entre maio e setembro; no inverno o desfiladeiro fecha e só resta ver a garganta de cima, do mirante junto à estrada, que foi o nosso caso.

Duas pontes marcam o trecho: a Wildener Brücke, arco de pedra de 1739, e a Pùnt da Suransuns, de 1999, assinada pelo engenheiro Jürg Conzett, com lajes de granito tensionadas que fazem parte da via cultural viaSpluga. Vale reservar tempo para as duas, mesmo sem entrar no desfiladeiro.

Vilarejo nevado com igreja de torre e encosta de coníferas no caminho para San Bernardino
Um vilarejo nevado com sua igreja, no caminho para San Bernardino, em dezembro.
Encosta nevada com coníferas esparsas perto do passo de San Bernardino
A encosta coberta de neve com coníferas esparsas, já perto do passo, no mesmo dia de dezembro.
Picos nevados iluminados pelo sol baixo na região do passo de San Bernardino
Os picos que emolduram San Bernardino, com o sol já baixo de uma tarde de dezembro.

Zillis e o teto que os moradores chamam de “Sistina dos Alpes”

A poucos minutos de Viamala fica Zillis, e dentro da igreja de São Martinho está um dos tetos pintados mais antigos da Europa: 153 painéis de madeira, cada um com cerca de 90 cm, organizados em 17 fileiras por 9 colunas. A estrutura de madeira é datada de cerca de 1109, com a pintura concluída pouco depois de 1114. É considerado o único teto românico pintado que chegou quase completo até hoje sem repintura posterior, o que explica por que guias locais costumam chamá-lo de “Sistina dos Alpes”, um apelido turístico, não uma classificação oficial, mas que dá uma ideia do peso da obra numa igreja de vilarejo pequeno.

A igreja abre diariamente das 10h às 17h30, com entrada de CHF 6 para adultos e CHF 4 para crianças. Há um bilhete combinado com o desfiladeiro de Viamala (CHF 16 para adultos, CHF 10 para crianças), mas vale saber que ele não representa desconto real: é a soma exata dos dois ingressos separados, então compre pensando em conveniência, não em economia.

O passo de San Bernardino

De Hinterrhein, o último vilarejo antes da subida, até o alto do passo são cerca de 17 km, com rampa máxima de 9,7% e mais de 40 curvas fechadas no lado sul, descendo para a Mesolcina. No topo, a 2.065 metros, fica o lago Moesola e um antigo hospício de montanha; o vilarejo de San Bernardino em si está um pouco abaixo, a 1.608 metros, com a capela dedicada a Bernardino de Siena erguida por volta de 1450.

O detalhe prático é este: o passo em si só abre na temporada de verão, e em 2026 o previsto é de 28 de maio a 3 de novembro, mas essas datas variam de ano para ano conforme a neve, então confirme sempre no site oficial antes de programar a travessia pela estrada alta. No resto do ano, e foi assim que passamos, a A13 segue pelo túnel de San Bernardino, inaugurado em 1967, com 6,6 km de extensão e aberto o ano todo. Não é preciso pagar entrada separada pelo túnel, só a vinheta anual obrigatória para rodar em autoestradas suíças (CHF 40). De Thusis até San Bernardino pelo túnel, o trajeto todo leva de 40 a 45 minutos; pelo passo aberto, some de 20 a 30 minutos a mais, sem contar as paradas nos mirantes.

Como chegar: de carro pela A13, saindo de Thusis (que já tem acesso rápido pela A13 desde Chur). É rota de carro; não há trem direto que acompanhe todo o trajeto entre o desfiladeiro e o passo. Quando ir: de 26 de março a 1º de novembro para visitar o interior do desfiladeiro de Viamala; o passo de San Bernardino costuma abrir entre final de maio e início de novembro, sempre sujeito à neve. No inverno, a rota segue de carro pelo túnel, com a vantagem de vales e encostas nevadas como as destas fotos. Vinheta: obrigatória para qualquer trecho de autoestrada na Suíça, CHF 40 por ano, vendida em postos de fronteira e postos de combustível.

Combina com: uma base em St. Moritz, o passeio de trem do Bernina Express e, de um jeito mais amplo, qualquer roteiro que já inclua os Alpes suíços de carro.

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Dúvidas frequentes sobre Viamala e San Bernardino

O desfiladeiro de Viamala é pago?

Sim. O acesso à escadaria que desce até o rio custa CHF 10 para adultos e CHF 6 de 6 a 16 anos, dentro da temporada de funcionamento.

Dá para visitar Viamala no inverno?

Não por dentro. Em 2026 a temporada vai de 26 de março a 1º de novembro; fora desse período o desfiladeiro fecha e só é possível ver a garganta de cima, pelo mirante junto à estrada.

Quanto tempo reservar para o passeio?

Meio dia. Dá para descer os 359 degraus do desfiladeiro, visitar a igreja de Zillis e ainda seguir até San Bernardino com calma.

A estrada do passo de San Bernardino é perigosa?

É uma estrada de montanha com curvas fechadas, especialmente no lado sul, mas é larga e bem sinalizada. Quem preferir evitar a subida pode seguir pelo túnel da A13, aberto o ano todo.

Precisa de vinheta para essa rota?

Sim, a vinheta anual (CHF 40) é obrigatória para rodar em qualquer trecho de autoestrada na Suíça, incluindo a A13 até o túnel de San Bernardino.

O que é a “Sistina dos Alpes”?

É como guias locais apelidam o teto pintado da igreja de São Martinho, em Zillis: 153 painéis de madeira de cerca de 1109 a 1114, um dos tetos românicos mais bem preservados da Europa. O nome é um apelido turístico, não uma classificação oficial.

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Escrito por Raphael Almeida · Conteúdo revisado e aprovado por Rafaella Vilafranca, cofundadora da Viagem Suíça.
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