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Vevey: o garfo no lago, Chaplin e a Riviera que ninguém apressa

O garfo gigante de Vevey fincado no Lago Léman ao entardecer, com os Alpes ao fundo
  1. 1La Fourchette, o garfo de aço inoxidável de oito metros, obra de Jean-Pierre Zaugg em 1995 para os dez anos do Alimentarium.
  2. 2Os quatro dentes cravados na água, a cerca de cinco metros do cais, com cerca de 1,3 metro de vão entre eles.
  3. 3Os Alpes do outro lado do Léman; esta margem norte corre de Lausanne ao Château de Chillon.
  4. 4A orla arborizada de Vevey, de onde a promenade do Quai Perdonnet segue de frente para o lago.
La Fourchette, o garfo de oito metros diante do Leman, no fim de tarde. Foto nossa. Os numeros marcam o que se ve na foto; passe o mouse ou toque para ler cada ponto.

Vevey não corre atrás de ninguém. Montreux, a vizinha de cinco minutos de trem, tem o casino e o festival de jazz; Lausanne tem a capital olímpica e a universidade. Vevey tem um garfo espetado no lago, uma estátua de Charlie Chaplin sorrindo para os Alpes e um mercado que existe desde antes de qualquer um de nós nascer. Nós estivemos ali em duas estações, uma vez com o verão ainda quente na pele e outra num fevereiro de vento cortante, e as fotos deste guia vêm dessas duas visitas.

É uma cidade pequena o bastante para se conhecer em meio dia e completa o bastante para render um dia inteiro, se você parar para comer no meio do caminho. Este guia separa o que é lenda do que é fato sobre o garfo, explica por que Chaplin escolheu viver ali por vinte e cinco anos e mostra o que fazer com o tempo que sobrar na promenade.

Onde fica Vevey

Na margem norte do Lago Léman, na região que os suíços chamam de Riviera vaudoise, entre Lausanne e o Château de Chillon. De Montreux são cinco a sete minutos de trem; de Lausanne, cerca de quinze; de Genebra, pouco mais de uma hora. O centro histórico fica a poucos passos da estação, descendo direto para a orla.

O garfo que quase ninguém conta a história certa

A Fourchette, o garfo de aço inoxidável fincado na água em frente ao Alimentarium, tem oito metros de comprimento e cerca de 1,3 metro entre os dentes. Foi criado em 1995 pelo escultor Jean-Pierre Zaugg, com a colaboração do chef Georges Favre, para marcar os dez anos do museu. E aqui está o ponto que a maioria dos roteiros erra: o garfo nasceu como instalação temporária e foi retirado em 1996. Vevey ficou sem ele por mais de dez anos, até uma versão voltar em 2007 dentro de uma mostra chamada “Couverts Découverts”. A população gostou tanto que assinou uma petição, e o garfo se tornou permanente no fim de 2008. Não é um monumento que está ali desde 1995 sem sair; é um símbolo que a cidade quase perdeu e decidiu manter.

Vista vertical do garfo de Vevey no Lago Léman com os Alpes nevados ao fundo
O garfo visto de perto, com os Alpes recortando o horizonte.
O garfo de Vevey no Lago Léman em um dia de inverno, com o céu carregado
O mesmo garfo em fevereiro, quando estivemos por lá pela segunda vez.

Chaplin, vinte e cinco anos à beira do lago

Charlie Chaplin se mudou para o Manoir de Ban, em Corsier-sur-Vevey, em 1952 e 1953, e viveu ali até morrer, em 1977. Foram vinte e cinco anos longe de Hollywood, num casarão com vista para o lago e os vinhedos de Lavaux. Hoje a propriedade é o museu Chaplin’s World, que reconstrói os cenários dos filmes e a rotina da família. O horário costuma ser diário, das 9h às 18h no verão e das 10h às 17h no restante do ano, mas confirme sempre no site oficial antes de ir, porque muda por temporada. A entrada balcão gira em torno de CHF 30 para adultos; comprando online com data marcada, o valor pode começar em CHF 24, e pacotes família também existem. Vale mesmo para quem não é fã declarado do cineasta: o jardim e a vista já pagam a visita.

Na promenade à beira do lago, uma estátua em bronze do ator, obra de John Doubleday de 1982, observa o Léman no Quai Perdonnet, praticamente ao lado do garfo.

Estátua de Charlie Chaplin em bronze na orla de Vevey, com roseiral e o prédio do Alimentarium ao fundo
A estátua de Chaplin no Quai Perdonnet, com o Alimentarium ao fundo.
Figura de Albert Einstein diante de espelhos no museu Chaplin’s World
Einstein entre espelhos no Chaplin’s World, em Corsier-sur-Vevey. Foto: arquivo Viagem Alemanha.

Alimentarium: a casa que a Nestlé abriu para a comida

O prédio atrás do garfo é o Alimentarium, considerado o primeiro museu do mundo dedicado inteiramente à alimentação. Abriu em 1985, mantido pela fundação da Nestlé, num edifício que já foi sede da própria companhia. Fechou para reforma e reabriu em 2016 com exposições mais interativas sobre de onde vem o que comemos. Funciona de terça a domingo, com horário reduzido de outubro a março (10h às 17h) e mais estendido de abril a setembro (10h às 18h); a entrada gira em torno de CHF 15 para adultos, com valores menores para crianças e jovens e gratuidade para os menores. A ligação com a Nestlé não é decoração: a empresa nasceu em Vevey em 1866, fundada por Henri Nestlé, e mantém a sede na cidade até hoje.

A Fête des Vignerons, o festival que a UNESCO reconheceu

Se existe um evento que resume o orgulho de Vevey pelos próprios vinhedos, é a Fête des Vignerons, a festa dos vinhateiros. Acontece raramente, algo como cinco vezes por século, e mobiliza a cidade inteira em desfiles, música e teatro de rua que celebram o trabalho na vinha. A última edição foi entre 18 de julho e 11 de agosto de 2019, e reuniu cerca de 400 mil pessoas num evento que normalmente dura poucas semanas a cada geração. Em dezembro de 2016 a UNESCO inscreveu a festa na lista do patrimônio imaterial da humanidade, a primeira tradição suíça a receber esse reconhecimento. Não há data anunciada para a próxima edição, e nós preferimos não especular: se você quer vivenciar a Fête, o jeito é acompanhar os canais oficiais da cidade.

O mercado, a orla e Lavaux logo ali

Duas vezes por semana, terças e sábados, a Grande Place de Vevey vira um dos mercados mais completos da região, com produtores locais, queijos e flores disputando espaço entre as bancas. Fora do dia de mercado, a mesma praça funciona como estacionamento, o que surpreende quem chega esperando encontrar tendas todos os dias. A promenade do Quai Perdonnet segue de frente para o lago, ligando a estátua de Chaplin, o garfo e o Alimentarium num passeio de poucos minutos, ótimo para o fim de tarde.

Lavaux, a região de vinhedos em socalcos que a UNESCO reconheceu como patrimônio mundial em 2007, começa praticamente na saída de Vevey. O trem regional Train des Vignes liga Vevey a Puidoux em horário cheio, cortando o meio dos terraços de videira até o planalto. Para quem quer se aprofundar na região do vinho, vale reservar uma tarde à parte.

Como chegar e quando ir

De trem: Vevey fica na linha principal do Léman, com conexões frequentes a Lausanne e Montreux; de Genebra, o trajeto soma pouco mais de uma hora com no máximo uma baldeação. De barco: os barcos da CGN atracam no cais central e seguem até Montreux e o Château de Chillon, uma forma bonita de emendar os dois passeios. De carro: a cidade fica junto à autoestrada A9, com estacionamentos perto da orla. Quando ir: o verão garante o mercado cheio e as tardes longas na promenade; nós também fomos no inverno, quando a cidade esvazia, o vento castiga o lago e o garfo ganha um ar quase solitário que vale a experiência, mesmo com menos gente na rua.

Combina com: um dia inteiro na vizinha Montreux, com a estátua e o estúdio do Freddie Mercury, uma tarde entre os terraços de Lavaux e a energia urbana de Lausanne, a poucos minutos de trem.

Monte seu roteiro pela Riviera suíça com quem já esteve lá

Encaixamos Vevey, Montreux e Lavaux na ordem certa, com os horários de trem e barco que fazem o dia render, sem correria. Essa costura entre cidades pequenas é o centro do nosso trabalho de roteiros sob medida pela Suíça.

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Dúvidas frequentes sobre Vevey

Quanto tempo reservar para Vevey?

Meio dia já cobre o essencial: a orla, o garfo, a estátua de Chaplin e o mercado, quando cair na data certa. Com o Chaplin’s World, o passeio ocupa um dia inteiro.

Vale a pena visitar o Chaplin’s World mesmo sem ser fã do ator?

Sim. O jardim, a vista para o lago e a reconstrução dos cenários funcionam bem mesmo para quem conhece pouco da filmografia de Chaplin.

Que dias funciona o mercado de Vevey?

Terças e sábados, na Grande Place. Nos outros dias, a praça vira estacionamento.

Dá para ir de Vevey a Montreux a pé?

Dá, seguindo a promenade à beira do lago, num passeio de cerca de uma hora e meia a duas horas, sem pressa.

Onde fica o garfo em relação ao Alimentarium?

Bem em frente, fincado no lago a poucos metros do cais, de forma que os dois viram uma única foto na promenade.

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Escrito e revisado por Rafaella Vilafranca, cofundadora da Viagem Suíça e guia certificada Switzerland Travel Expert.
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