
Nós chegamos a Solothurn de noite, em dezembro, com o mercadinho de Natal ainda armado na praça e o frio da noite empurrando todo mundo para dentro dos casacos. A cidade é pequena, cabe inteira num passeio de duas ou três horas, mas tem uma obsessão que só percebemos depois de ler sobre o lugar: o número 11 aparece em quase tudo, das igrejas aos degraus da catedral. O turismo suíço chama Solothurn de cidade barroca mais bonita do país, com grandeza italiana, charme francês e pragmatismo alemão. É elogio de quem vende a cidade, não uma medição neutra, mas depois de andar pelas ruas de pedra sob as luzes de Natal, entendemos por que a frase pegou.
Este guia é sobre o que vimos e conferimos: a catedral, a torre do relógio, a garganta com a ermida e o barco que sai dali para Biel. As fotos são todas nossas, de uma visita noturna de Advento, então a cidade aqui aparece vestida de luzes, não de sol de verão.
Por que Solothurn é obcecada pelo número 11?
A conta soma, mas precisa de contexto: são 11 igrejas e capelas juntas, não 11 igrejas isoladas, além de 11 fontes históricas, 11 torres, 11 museus e, no passado, 11 guildas de artesãos. A origem oficial remonta a Urso e Vítor, dois soldados que a lenda liga à 11ª Legião Tebana, uma história devocional, não um fato histórico bem documentado. O que é verificável é que Solothurn entrou na Confederação como o 11º cantão, em 1481, e que a cerveja local se chama Öufi, o número 11 em dialeto solothurnense. O número virou identidade, cultivada de propósito pelo turismo local, mas com base real em várias dessas contagens.


A Catedral de Santo Urso carrega o número em tudo
A catedral foi construída entre 1762 e 1773, projeto do arquiteto Gaetano Matteo Pisoni, de Ascona, e é o ponto mais alto da obsessão local com o 11: a escadaria de acesso soma três lances de 11 degraus, a torre mede 66 metros (seis vezes 11), há 11 sinos fundidos entre 1764 e 1768, 11 altares visíveis de um único ponto dentro da nave e a própria construção levou exatamente 11 anos. A igreja abre das 8h às 18h30, com fechamentos durante as missas. Para quem quiser subir, a torre tem 249 degraus e abre de 1º de abril a 31 de outubro, em grupos pequenos, de até 12 pessoas, acompanhados. Não confirmamos o valor da entrada da torre, então confirme no site oficial antes de ir.
O relógio das 11 horas não fica onde todo mundo procura
Um dos símbolos mais repetidos de Solothurn é o relógio que toca às 11 horas, mas ele não está no Marktplatz, e sim na fachada do Amthausplatz, hoje ocupada por uma agência do UBS. É uma obra moderna, do artista Aschwanden, com um arlequim de Gugelmann que se move junto ao mecanismo, e toca a canção de Solothurn usando os 11 sinos às 11h, ao meio-dia, às 17h e às 18h. Já o relógio antigo da cidade, o Zeitglockenturm, é a construção mais velha de Solothurn, erguida no início do século XIII, e guarda um mecanismo astronômico de 1545, atribuído aos relojoeiros Liechti e Habrecht. A cada hora cheia, um cavaleiro, um rei e a figura da Morte desfilam na fachada, um pequeno teatro mecânico que reúne curiosos na praça mesmo em noites frias como a nossa.
- 1O Zeitglockenturm, construção mais antiga de Solothurn, erguida no início do século XIII.
- 2O relógio astronômico de 1545: a cada hora, um cavaleiro, um rei e a figura da Morte desfilam na fachada.
- 3Uma das 11 fontes históricas da cidade, na beira do Marktplatz.
- 4As casas da praça vestidas de luzes de Natal, como as vimos numa noite de Advento.
Verenaschlucht: a garganta com a ermida
A poucos minutos do centro, em Rüttenen, a Verenaschlucht é uma garganta estreita que sobe até a Einsiedelei St. Verena, uma ermida com partes que remontam ao século XII. O lugar mantém uma tradição de eremitas que vive desde 1588, sustentada pela Bürgergemeinde de Solothurn, o que a torna uma das ocupações eremíticas contínuas mais antigas da Europa. Preferimos não nomear quem vive lá hoje, porque essa informação muda com o tempo e não conseguimos confirmá-la para 2026; o que vale registrar é que a tradição segue viva, não é uma reconstituição para turista. As capelas do vale abrem de terça a domingo, das 10h às 17h, e a caminhada pela garganta é curta, mais um passeio contemplativo do que uma trilha exigente.
Um cruzeiro de quase três horas pelo rio Aare
Solothurn também é ponto de partida de um passeio de barco pelo rio Aare até Biel, operado pela BSG, com cerca de 2h45 de duração por trecho, bem mais longo do que os 45 minutos que aparecem por engano em algum material de divulgação. A temporada de 2026 vai de 2 de maio a 25 de outubro. No caminho, o barco passa pelas cegonhas de Altreu e pelo vilarejo de Büren an der Aare, e o próprio operador descreve o trajeto como o cruzeiro fluvial mais bonito da Suíça, uma opinião de quem vende a passagem, mas que combina com a paisagem tranquila do rio.

Como chegar: de Zurique HB, o trem direto (IC) leva entre 53 minutos e 1h05. De Berna, a linha regional RBS até Solothurn leva de 35 a 40 minutos, com até 4 partidas por hora nos horários de pico. Quando ir: qualquer época funciona para o centro histórico e a catedral; o barco para Biel só roda de maio a outubro, e a subida à torre da catedral segue o mesmo período, de abril a outubro. Nós fomos no Advento e recomendamos, porque a cidade fica decorada e o frio ainda é tolerável para andar a pé.
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Fale com a nossa equipeDúvidas frequentes sobre Solothurn
Quanto tempo reservar para Solothurn?
Meio dia é suficiente para o centro histórico e a catedral. Um dia inteiro rende mais, com tempo para a Verenaschlucht ou para o passeio de barco até Biel.
Dá para fazer bate-volta de Berna ou Zurique?
Sim. De Berna são cerca de 35 a 40 minutos de trem regional, e de Zurique HB o trajeto direto leva entre 53 minutos e 1h05.
O número 11 é real ou é só marketing da cidade?
É uma mistura das duas coisas. As contagens de igrejas e capelas, fontes, torres e museus somando 11 são reais, mas a cidade cultiva o número de propósito como identidade turística.
Como subir na torre da Catedral de Santo Urso?
São 249 degraus, com acesso apenas de 1º de abril a 31 de outubro, em grupos pequenos e acompanhados. Confirme valores e horários no site oficial antes de ir.
O barco pelo rio Aare funciona o ano todo?
Não. A temporada de 2026 vai de 2 de maio a 25 de outubro, e o trajeto até Biel dura cerca de 2h45.
Ainda existem eremitas na Verenaschlucht?
Sim, a tradição segue viva desde 1588. Preferimos não nomear quem ocupa a ermida hoje, porque essa informação muda com o tempo.

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