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• Gastronomia Suíça

Os clássicos de Zurique: cafés históricos e pratos que definem a cidade

Rio Limmat com as torres da Grossmünster ao fundo, em Zurique
O rio Limmat e as torres gêmeas da Grossmünster, no coração de Zurique. Foto nossa.

Zurique não é uma cidade de um prato só, nem de um endereço só. É uma cidade de hábitos repetidos há décadas, às vezes há mais de um século, e que a cidade insiste em manter do jeito que sempre foram. Uma confeitaria que virou marca internacional sem perder a loja original. Um restaurante dentro de um arsenal medieval. Uma banca de salsicha que já viu gerações de zurequenses pararem em pé, no mesmo esquinão, para comer.

Este guia não é sobre onde comer bem em Zurique de forma genérica. É sobre sete endereços e um prato que, juntos, contam como a cidade chegou a ser o que é hoje: comercial, discreta, e surpreendentemente fiel às próprias tradições. Fomos verificando data por data, porque em cidade antiga é fácil repetir lenda como se fosse fato, e aqui preferimos errar pelo lado da precisão.

Sprüngli, o doce que virou símbolo da cidade

A história começa em 1836, quando David Sprüngli abriu sua confeitaria na Marktgasse, no centro velho de Zurique. A loja que hoje todo mundo associa à marca, na elegante Paradeplatz, só chegou em 1859. Décadas depois, em 1892, a família dividiu o negócio: um ramo seguiu para a produção industrial de chocolate, que se tornaria a Lindt & Sprüngli, e o outro manteve as confeitarias e cafés que existem até hoje.

O produto mais famoso da casa nem é tão antigo quanto parece. Os Luxemburgerli, aqueles macarons em miniatura, existem desde 1957, criados por um confeiteiro vindo de Luxemburgo que deu nome ao doce. A loja da Paradeplatz vende, segundo a própria empresa, algo em torno de 650 quilos de Luxemburgerli por dia. Vale sentar ali, tomar um café e observar o entra e sai de uma das esquinas mais caras da Suíça.

Café & Conditorei 1842, ao lado do Grossmünster

Poucos passos separam a Paradeplatz do outro clássico da lista, mas essa distância é também uma viagem de mais de um século e meio de história. O Café & Conditorei 1842, na Napfgasse, foi fundado naquele ano por um confeiteiro chamado Eberle. Em 1874 passou às mãos da família Schober, e depois foi assumido pela família Péclard; por muito tempo os moradores da cidade se referiam a ele por esses nomes antigos. Desde 2019, sob uma nova fundação, o café opera com o nome atual, que resgata o ano de fundação em vez de um sobrenome de família.

Mesas de café numa praça da cidade velha de Zurique
Mesas de café ao ar livre numa praça da cidade velha. Foto nossa.

São seis andares de salões, um deles reservado à produção de chocolates e outro ao próprio museu da casa. O chocolate quente é o motivo mais citado para ir, mas a localização, a um minuto a pé do Grossmünster, a igreja de duas torres que é um dos símbolos do horizonte de Zurique, já justificaria a parada.

Zeughauskeller, o restaurante dentro de um arsenal do século XV

Na Bahnhofstrasse, a avenida de compras mais cara da cidade, um prédio de pedra maciça destoa das vitrines de luxo ao redor. É o antigo arsenal de Zurique, erguido em 1487 para guardar armamento da cidade-estado. Ele só virou restaurante em 1926, quase 450 anos depois de construído, e desde então serve pratos suíços fartos sob o teto abobadado do salão principal.

O prato mais pedido é o Kalbsgeschnetzeltes, a vitela em tirinhas ao molho que também aparece, com variações, em quase todo cardápio tradicional da cidade. A casa tem uma lenda própria envolvendo a “besta de Guilherme Tell”, contada aos visitantes como parte do folclore do lugar; é história de casa, não fato documentado, e vale ouvir sabendo disso.

O prato que define a cidade: Zürcher Geschnetzeltes

Se existe um prato que resume a cozinha de Zurique, é este: vitela cortada fina, refogada em creme e vinho branco, às vezes com cogumelos, servida quase sempre ao lado de rösti crocante. Chama-se Zürcher Geschnetzeltes e aparece em praticamente todo restaurante tradicional da cidade, do Zeughauskeller às Stuben menores dos bairros.

A primeira menção do prato em registro escrito, segundo os levantamentos históricos disponíveis, é de 1947. Isso não significa que ninguém o preparasse antes, mas sim que essa é a referência documentada mais antiga que se conhece; tratamos a data como o primeiro registro, não como uma certidão de nascimento do prato.

Entre uma refeição e outra, vale reservar um tempo para caminhar sem pressa pelo centro. As ruas ao redor da Bahnhofstrasse e da cidade velha concentram bancas, vitrines e, em determinadas épocas do ano, mercados sazonais que tomam conta das praças.

Ruela de paralelepípedo na cidade velha de Zurique
Uma das ruelas de paralelepípedo da cidade velha. Foto nossa.

Sternen Grill, a salsicha que se come em pé no Bellevue

No Bellevue, uma das praças mais movimentadas de Zurique, fica um quiosque que não parece nada especial à primeira vista e que, mesmo assim, é ponto de parada obrigatória para meio mundo que passa por ali. O Sternen Grill funciona desde 1962 (a própria casa, em alguns materiais, cita 1963; as datas divergem entre fontes, e não encontramos como resolver essa diferença com certeza).

O pedido clássico é a St. Galler Bratwurst, salsicha clara de vitela e toucinho, sem mostarda por dentro (a tradição manda comer sem mostarda visível, para não mascarar o tempero), acompanhada do pãozinho Gold-Bürli e, à parte, uma mostarda picante para quem quiser. Come-se em pé, na calçada, sob o toldo do quiosque, como zurequenses fazem há mais de sessenta anos.

Lindt Home of Chocolate, a fonte de 9,3 metros que não cobra entrada

Em Kilchberg, na margem do lago, a Lindt & Sprüngli abriu em setembro de 2020 um centro de visitantes dedicado inteiramente ao chocolate. O símbolo do lugar é uma fonte de 9,3 metros de altura com capacidade para 1.500 litros de chocolate, descrita pela empresa como a maior fonte independente do gênero no mundo. Ela fica no saguão de entrada, que é de acesso livre, sem necessidade de ingresso.

Já o museu, com as salas de história e produção, é pago: confira valores e horários atualizados no site oficial antes de ir, porque a operação da casa costuma reservar exceções para véspera e feriados de fim de ano. Recomenda-se reservar o horário de visita com antecedência pelo site.

Odeon, o café que hospedou revolucionários e escritores

À beira do rio Limmat, o Café Odeon abriu as portas em 1º de julho de 1911, com o salão Art Nouveau que até hoje mantém boa parte da decoração original. Pela lista de frequentadores célebres da casa passaram nomes como Lenin, Einstein e James Joyce, além de figuras ligadas ao movimento dadaísta que nascia na cidade na mesma época. Não é um mito recente construído para turista: a fama do Odeon como ponto de encontro de intelectuais e exilados políticos é bem documentada na história da cidade.

Cabaret Voltaire, o berço do Dadaísmo

A poucos minutos a pé do Odeon, na Spiegelgasse, um pequeno salão guarda o endereço exato onde nasceu o movimento Dadaísta, em 5 de fevereiro de 1916. O Cabaret Voltaire funcionou como casa noturna e palco de performances experimentais naquele período conturbado da Primeira Guerra Mundial, reunindo artistas refugiados de vários países europeus. Fechado por décadas, o espaço foi reaberto em 2004 e hoje funciona como centro cultural e pequeno museu dedicado ao movimento que ali começou.

Como circular: o centro histórico de Zurique se percorre a pé; a Bahnhofstrasse liga a estação central ao lago e passa perto da maioria dos endereços deste guia. Bondes e ônibus da rede pública cobrem o resto da cidade, incluindo o trajeto até Kilchberg para o Lindt Home of Chocolate. Quando ir: os cafés e restaurantes funcionam o ano todo; confirme horários de funcionamento, preços e eventuais fechamentos de feriado direto no site oficial de cada casa antes da visita, porque esses detalhes mudam com frequência.

Combina com: o guia completo de o que fazer em Zurique, nossas dicas de onde ficar em Zurique e o panorama de comidas típicas da Suíça para situar estes pratos no resto do país.

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Ajudamos a encaixar estes clássicos, os museus e o resto da cidade em um roteiro com tempo de sobra para caminhar sem pressa entre uma parada e outra. Se quiser entender o formato antes de escrever, é assim que funcionam nossos serviços de viagem sob medida, do primeiro rascunho do roteiro às reservas de hotel e de trem.

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Dúvidas frequentes sobre os clássicos de Zurique

Qual é o café mais antigo de Zurique nesta lista?

A Sprüngli, fundada em 1836. A loja mais conhecida, na Paradeplatz, é de 1859. O Café & Conditorei 1842 vem logo depois, com o nome atual adotado em 2019.

O Zeughauskeller é um museu ou um restaurante?

É um restaurante em funcionamento desde 1926, instalado dentro do antigo arsenal da cidade, construído em 1487. Não é um espaço de museu, e sim um endereço para comer pratos suíços tradicionais.

Preciso pagar para ver a fonte de chocolate da Lindt?

Não. A fonte de 9,3 metros fica no saguão de entrada, de acesso livre. O ingresso pago dá acesso apenas às salas do museu; confirme valores no site oficial.

O que é o Zürcher Geschnetzeltes?

Vitela cortada fina, refogada em molho de creme e vinho branco, às vezes com cogumelos, servida com rösti. É o prato mais associado à cidade, com primeiro registro escrito conhecido em 1947.

Vale a pena visitar o Cabaret Voltaire mesmo sem interesse específico em arte?

Vale como parada rápida e histórica: é o endereço exato onde o Dadaísmo nasceu em 1916, reaberto como centro cultural em 2004, a poucos minutos a pé do Odeon.

Dá para fazer esse roteiro em um dia?

Dá, já que os endereços ficam concentrados no centro histórico e ao longo da Bahnhofstrasse, com exceção do Lindt Home of Chocolate, em Kilchberg, que exige um deslocamento de bonde ou ônibus.

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Escrito por Clara Rhenius · Conteúdo revisado e aprovado por Rafaella Vilafranca, cofundadora da Viagem Suíça.
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